Síndrome de Bouveret



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HISTÓRIA CLÍNICA

Mulher de 79 anos com vômitos e dor abdominal há dois dias e sinais de choque e irritação peritoneal. Exames laboratoriais demonstravam severa instabilidade circulatória (lactato: 120mg/dl), além de grave lesão renal grave (creatinina: 2,64 mg/dl e uréia: 121mg/dl), leucocitose com desvio importante e PCR elevado.

A tomografia computadorizada (TC)
abdominal foi solicitada para avaliação.

 
 
 

Figura 1: TC no corte axial
demonstra líquido na cavidade abdominal (seta cinza claro), aerobilia (seta
branca reta), pneumoperitônio (seta branca curva) e distensão gástrica (seta
cinza escuro).

Figura 2: TC no corte axial
demonstra cálculo (3,0 cm de diâmetro) na terceira porção do duodeno (seta
branca) – Síndrome de Bouveret.

Figura 3: TC no corte coronal demonstra líquido na cavidade abdominal (seta branca curva), distensão gástrica (seta cinza claro) e cálculo na terceira porção do duodeno (seta branca reta) – Síndrome de Bouveret.

EPIDEMIOLOGIA

  • A síndrome Bouveret é uma entidade
    rara, variante do íleo biliar, na qual a litíase se aloja no duodeno – 2-3% dos
    casos – ou piloro, causando uma obstrução, ocorrendo, também, aerobilia1,2,3.
  • O cálculo biliar é geralmente único
    e maior do que 2 centímetros4.
  • Desde a primeira descrição de León
    Bouveret, em 1896, menos de 200 casos foram descritos na literatura em todo o
    mundo3.
  •  

SINTOMATOLOGIA

  • O quadro clínico é inespecífico, mas
    muitas vezes inclui náuseas, vômitos e dor epigástrica1.
  • Os estudos de laboratório podem
    indicar um padrão obstrutivo com aumento da bilirrubina e os valores de
    fosfatase alcalina elevados1

 

 

DIAGNÓSTICO

  • A radiografia abdominal é raramente
    diagnóstica para a síndrome Bouveret1.
  • No entanto, em cerca de 30-35% dos
    pacientes com íleo biliar, o diagnóstico pode ser sugerido pela apresentação
    clínica e da tríade Rigler1:

     

    • Obstrução intestinal.
    • Pneumobilia.
    • Cálculo biliar ectópico.
  • Radiografias abdominais
    subseqüentes podem ser úteis para demonstrar a migração do cálculo biliar1.
  • Achados da ultrassonografia (USG)
    podem sugerir o diagnóstico, mas muitas vezes são confusos1.

     

    • Embora o cálculo biliar seja suficientemente
      grande para ser visível, pode ser difícil localizá-lo na topografia duodenal ao
      invés da vesícula biliar contraída1.
    • Apesar do USG ser a modalidade de
      imagem de maior utilidade para a avaliação inicial do sistema biliar, a TC é
      superior1.
  • A identificação da pneumobilia,
    além do estômago dilatado são facilmente identificados pela TC1.

     

    • A fístula pode ser vista no exame
      com contraste oral ou quando se apresenta com ar – um sinal secundário que pode
      ser útil é a identificação de material de contraste oral dentro da vesícula
      biliar1.
    • O cálculo é geralmente visto no
      duodeno, mas é isoatenuante a bile e a lama biliar em 15-25% dos casos – nestas
      situações, mais uma vez, o material de contraste oral, aumenta a sensibilidade
      da TC por ficar em torno do cálculo1.

 

 

  •    A colangiopancreatoressonância é reservada para pacientes com cálculos isoatenuantes que não conseguem tolerar material de contraste oral para a TC1,4.

 

 

TRATAMENTO

  •     Dada à frequência de comorbidades e a idade habitualmente avançada dos pacientes, a maioria dos autores recomenda a utilização do tratamento mais conservador possível2.
  •     O procedimento endoscópico – CPRE – é o preferido5.
  •   No entanto, este procedimento é raramente bem-sucedido, muitas vezes devido ao tamanho do cálculo.

 

REFERÊNCIAS

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Cortesia:

Dr. Márcio Luis Duarte